BOPP e políticas de resíduos sólidos: como afetam as empresas de embalagens alimentícias

Uma preocupação cada vez mais comum entre as empresas que comercializam produtos alimentícios é encontrar uma solução viável para reciclar as embalagens, principalmente as produzidas com o plástico conhecido como BOPP (Bi-Axially Oriented Polypropylene) ou película de polipropileno biorientada. 

Tratam-se dos pacotes de salgadinhos, sopas instantâneas, barrinhas de cereais, chocolates, rótulos de garrafas PET, biscoitos, entre infindáveis exemplos. 

Apesar de existirem políticas de resíduos sólidos, este material específico ainda é motivo de muitas controvérsias, sendo inclusive visto como um vilão por muitos setores pelo fato de conter contaminantes, como tintas, lubrificantes e aditivos. 

Mesmo com as dificuldades para reaproveitar essas embalagens, existem alternativas viáveis e que desmitificam o atual cenário de vilão, como veremos neste post. Quer aprender mais sobre o BOPP? Então venha com a gente! 

Descubra o que é o BOPP 

Sendo um tipo de filme plástico imensamente utilizado pela indústria alimentícia, o BOPP é maciçamente encontrado nas embalagens. 

A sua utilização é em grande escala em razão de ser um material fácil de colorir, imprimir e laminar. Além disso, o aspecto metalizado contribui com o bom condicionamento dos alimentos, evitando contaminações com gases ou oxigênio, sem falar no combate às variações de temperatura e umidade, principalmente no transporte até o mercado consumidor.  

Outro ponto muito valorizado pela indústria alimentícia é que o BOPP desliza facilmente pelas máquinas de empacotamento, com um ganho considerável na produtividade. Assim, o seu uso é em grande escala e vem sendo motivo de preocupações ambientais.    

Entenda o que pode ser feito para diminuir os impactos ambientais 

Atualmente, as embalagens de produtos alimentícios são um grande problema para as cidades. Isso porque o descarte irregular entope valas, gera enchentes, polui o solo e ainda sufoca animais marítimos.    

No entanto, de acordo com a política de resíduos sólidos, é preciso reaproveitar os materiais recicláveis, em uma ação conjunta entre os setores público, privado e sociedade em geral — afinal, a produção só aumenta. Em 2010, por exemplo, foram gerados 60,7 milhões de toneladas de resíduos no país. Do montante, apenas 962 mil toneladas foram recicladas. 

Dessa maneira, é preciso agir para modificar a situação, de olho no bem-estar das futuras gerações. No que diz respeito ao BOPP, a concentração de esforços deve ser ainda mais fortalecida. 

Isso porque este tipo de plástico necessita de ações mais específicas pelo fato de 20% a 30% do peso ser composto por contaminantes que se perdem no processo de reciclagem. As características também se modificam amplamente após o processo de exsudação, como a transferência de cor, atrapalhando a performance. 

No entanto, o cenário vem se alterando graças a pesquisas, novos equipamentos e conscientização, principalmente no auxílio por meio da política reversa, na qual as empresas compram as próprias embalagens para reutilizarem novamente, como veremos a seguir. 

Veja as soluções adotadas pelas empresas de embalagens alimentícias  

Pesquisas, equipamentos modernos e conscientização estão sendo fundamentais para as empresas que utilizam a matéria-prima BOPP encontrarem alternativas para amenizarem os impactos ambientais. 

Uma das soluções colocadas em prática foi a adoção de uma política de ciclo de vida fechado em conjunto com cooperativas e empresas de reciclagem ou recuperadoras. Afinal, a própria política de resíduos sólidos sugere que todos são responsáveis pelo que é produzido e consumido. 

Assim, existe um apelo em crescimento para que se divida as responsabilidades, com incentivos como a redução de impostos e taxas, viabilizando o processo. 

Dessa maneira, a ideia vem amadurecendo a cada dia. Algumas multinacionais, por exemplo, já emplacaram a política reversa e vêm utilizando os seus “scrap’s” em outros produtos de uso imediato. Além da contribuírem com o meio ambiente, ainda conquistam selos de qualidade e de sustentabilidade, como o “i’m green”.  

Algumas instituições elaboram displays de salgadinhos comercializados em lanchonetes, bares e restaurantes por meio da reciclagem das embalagens. Um display consome cerca de 675 embalagens em sua fabricação, sendo uma boa alternativa de fechamento do ciclo sem deixar resquícios prejudiciais à natureza. 

Conheça outros exemplos de reciclagem e reutilização do BOPP   

Além da própria produção de novas embalagens alimentícias, os processos de reciclagem do BOPP possibilitam diversas utilizações, como na fabricação de mochilas, embalagens de cosméticos e até em autopeças, como para-choques.  

Existe ainda a reciclagem energética, que incinera o material coletado e depois o transforma em energia, como para uma máquina de fabricar cimento, por exemplo. Apesar de cara e ser pouco realizada no mercado, a primária também é uma solução. 

Ela transforma o resíduo em gás ou monômetro que resultará na fabricação de outro material plástico. Existem ainda cooperativas de reciclagem que transformam toneladas deste tipo de plástico em paletes, que são aproveitados pelas próprias empresas alimentícias.  

Além disso, o BOPP pode ser utilizado em produções artesanais, como preenchimento de almofadas, puff’s, camas para PETs, estojos, colchão de acampar, jogo de mesa americano ou tapetes. 

No entanto, existem alguns entraves que ainda limitam o reaproveitamento das embalagens tanto no aspecto técnico quanto logístico, como mostraremos agora. 

Saiba os desafios para reaproveitar ou reciclar o BOPP  

Apesar de ser viável em muitos processos de reciclagem, o BOPP ainda apresenta algumas limitações que necessitam de mais empenho tanto das empresas quanto do poder público. 

Pelo fato de ser um produto muito leve, são necessários equipamentos bem específicos para realizar a alimentação forçada que viabilize a passagem pela rosca. Como pode vir com contaminantes, necessitando de uma limpeza adequada, o plástico perde peso.

Em uma carga de 10 toneladas, por exemplo, cerca de 3 toneladas são perdidas devido à volatilidade, aumentando os custos operacionais. 

Além disso, outro desafio é a logística. Isso porque embalagens de uma mesma empresa são localizadas em várias partes do Brasil em sua grandiosidade territorial. Assim, o recolhimento enfrenta um grande limitador, necessitando de um auxílio governamental em campanhas de conscientização e criação de postos de entrega. 

Com isso, os descartes em aterros ainda representam a maioria do destino do BOPP, principalmente em razão dos menores custos, inviabilizando projetos mais sustentáveis. 

Para mudar a situação, as políticas de resíduos sólidos precisam aumentar a fiscalização e ainda criar estratégias que viabilizem incentivos fiscais às empresas que desenvolvam projetos alternativos para uma reciclagem ou reaproveitamento eficaz do BOPP, contribuindo com o meio ambiente e também com a qualidade de vida da população.

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